Desabafos silenciosos...
Porque exigem tanto de mim?
Porque me indesejam?
Me não comprometo
com a fria realidade,
mas o aquecedor é falso -
deixo de estar.
Dói-me o sítio.
Dói-me a repetição
desta palavra eterna,
mas ecoa,
ecoa...
e ecoa.
Hoje transeunte banal;
Hoje, mágoa social
que perpassa lá ao fundo,
cada vez mais nesta sombra
que não é escura...
apenas incolor,
apenas paralela,
apenas.
Como sempre,
a estrada não se partiu em duas,
não houve bifurcação;
Apenas se projectou uma miragem
de cimento
onde era o terreno inóspito e a dureza
de uma pátria surda e exterior,
acolhedora somente à sua maneira.
Não à minha.
Ou pelo menos
não para comigo.
Quero que se foda essa tua opinião.
Quero que se foda o estereotipo
em que recaio,
e quero que te fodas com ele.
Já que não me dão o mundo,
não me espremam outra vez
os sentimentos,
essas vossas vozes redutoras
de quem não sabe na verdade
o que é ser ninguém,
o que é não poder sofrer verdadeiramente
por se não ser ninguém,
por não ter que a frágil mente por estimar.
Viver sim,
mas com que sabor,
em que reconhecida paisagem (em que eles?)
que me permita não estar aqui
a cavar mais este fosso...